"Uma depilação não vista é uma dor sentida em vão..."
Querem ver? Só na Rede SNG...







Você, assim como eu, se considera um bebedor nato. Certo? Você, assim como eu, já passou por porres homéricos, DRs sem motivo, arrancou o espelho do carro, falou o que não devia, e se ajoelhou em direção à Meca em frente a um vaso sanitário – alguns, dizem, utilizam pneus velhos, enfim, cada um cada um.
Enfim – enfim de novo -, você já está maduro com o alcoolismo, é um alcoolicista de primeira, conhece os seus limites, sabe beber e não estragar tudo, afinal, o diabo sabe mais por experiência do que por diabo – eu discordo, mas isso é outro assunto. A última vez que você falou “eu nunca mais vou beber assim” foi realmente a última vez. Até a próxima que você caga tudo de novo.
Após meu último descarrilamento hepático, justo na festiva data em que comemorava meus vinte e oito anos em uma brilhante ode à alcoologia, tentei fazer os cálculos: eu comecei a conversar efusivamente à partir da terceira caipirinha. Na quinta, já estava tocando violão e cantando Tim Maia

A sexta foi utilizada como extintor de incêndio, afinal fui presenteado pelo dono do bar com uma dose de tequila prata. A sétima, creio eu, foi compartilhada com outras doze pessoas, enquanto me empurraram mais três doses da mexicana impiedosa.
Após isso, as dosagens se confundem com cenas de periculosidade – deitar no meio do asfalto não é recomendável -, um choro infantil e súbito – “eu não acredito que ela teve a coragem de me dar um pé na bunda!” -, e, claro, a primeira de muitas conferências com Mr Boss. Hugo Boss. No banheiro feminino de um bar distantes 10km de onde começou a noite, coisa que até hoje não faço idéia como foi acontecer.
O que me levou a pensar no título desta verborragia escrita. O point of no return (sim, podemos traduzir para ponto sem volta, momento sem volta, tanto faz, mas eu gosto de alguns termos em inglês, whatever), aquele momento em que a linha temporal rompe devido a um pequeno, quase insignificante, filhadaputamente escrota dose a mais.

Com essa quantidade com certeza você cai.
Créditos: sjsharktank
Digamos: 5 tequilas, em determinada noite, você cura com 1 litro de água, um Quarteirão no McDonald’s, e duas Neosaldina. Agora, por uma fanfarronice do destino, 5 tequilas e ¼ você não cura nem em templo hare krishna. A cura vem através da punição: giros intermináveis na cama e um nada sensual abraço no vaso sanitário – lembre-se: pessoas botam a bunda ali.
Tenho aqui um dever como jornalista profissional em conduzir uma investigação precisa sobre os reais acontecimentos bioquímicos que acarretam o fucking point of no return. Mas eu digo um grande foda-se ao profissionalismo e deixo que vocês respondam.
Por enquanto, me permito um pouco de ignorância e bato o martelo: não são 5 tequilas que te fazem mal, e sim aquele ¼. Certo?


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